Trabalhadores que não conseguiram realizar cadastro pela internet dizem que não deixarão de trabalhar.
Dezenas de ambulantes continuavam acampados em frente à sede da Semop, da Prefeitura de Salvador, até o fim da tarde desta sexta-feira (10), após semanas a fio clamando por uma licença para trabalhar durante o Carnaval de Salvador. Por causa de diversos problemas envolvendo dificuldades de acesso ao site que foi disponibilizado para a ação, que saiu do ar pouco após o seu lançamento, muitos trabalhadores não conseguiram se cadastrar.
Mesmo assim, ambulantes afirmaram ao Metro1 que não deixarão de trabalhar durante a folia -- momento no qual eles conseguem a maior parte da sua renda. "Estou indo para a Barra ganhar o meu dinheiro. Se quiser me encontrar, estou lá sem licença esperando virem tomar minha mercadoria", afirmou a ambulante Andressa, 33 anos. "E quando o 'rapa' vir, vai fazer como?", questionou a também ambulante Aline Santos, 30. Ambas estavam em frente à Semop, nesta tarde, se preparando para pegar um ônibus em direção ao circuito Dodô, do Carnaval, para reservar um lugar para realizar as vendas.
Nesta sexta, as calçadas na região da sede da Semop, no bairro de Jardim Santo Inácio, estavam todas ocupadas por diversos pedaços de papelão e bancos plásticos, onde ambulantes passaram as últimas semanas dormindo debaixo do sol e da chuva, sem pausa. Grávida, Andressa afirma que chegou a parar na emergência, mas que teria fugido do hospital para não ser internada e perder a chance de trabalhar no Carnaval.
Os ambulantes afirmam que já perderam as esperanças de conseguir negociar com a secretaria uma solução, então usarão durante o Carnaval as caixas de isopor, marcadas com a logo da cerveja Brahma (patrocinadora oficial da festa), recebidas durante o credenciamento presencial para a Festa de Iemanjá, em 2 de fevereiro.
"[O cadastramento para o Carnaval] tinha que ser presencial", avaliou Andressa, relembrando o esquema realizado nos anos anteriores. "Pela internet, não tem disponibilidade e capaciddade para atender o público, os ambulantes. Quando o site libera, muita gente entra e o site para, 'buga', fica fora do ar. É muita gente acessando a mesma página e eles sabem disso. Liberava uma parte online e outra presencial", defendeu.
"Esse foi o pior ano para a gente, que é vendedor ambulante", lamentou ainda uma trabalhadora de 55 anos que preferiu não ser identificada. Ela acampava nesta sexta em frente à Semop em busca de uma vaga para a sua filha.
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Fonte: Metro1

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